A Direção Regional de Cultura do Norte e o Cineclube do Porto apresentam
Programação de Cinema: Casa das Artes
Sala Henrique Alves Costa
FEVEREIRO 2017
QUATRO CARAS
A programação regular do mês de Fevereiro destaca-se pela simultaneadade com a realização da Retrospectiva Saguenail – Um cinema maldito. É, por isso, um programa que se cruza com essa retrospectiva e que com ela comunica. Pode entender-se a programação regular de Fevereiro dividida em duas partes.
Os filmes Rio do Ouro (Paulo Rocha, 1988) e César deve morrer (Paolo e Vittorio Taviani, 2012) surgem assumidamente em comunicação com as curtas metragens Mau dia (2006), Pas perdus (2008) e Acentuado arrefecimento nocturno (2013) e com a longa metragem Mourir un peu (1981-85) todos realizados por Saguenail. Saguenail foi próximo de Paulo Rocha e a propósito de Rio do ouro realizou quatro filmes Marginália I a IV. O filme Dentro (Saguenail, 2001) deve confrontar-se com César deve morrer, antecipando-o mas partilhando com ele algumas premissas que resultam em filmes evidentemente distintos.
Na segunda parte do mês, o foco é colocado sobre quatro narrativas que destacam a vida de figuras proeminentes do meio cultural e intelectual: os realizadores Jean-Luc Godard, François Truffaut (Godard/Truffaut – os 2 da (nova) vaga, Emmanuel Laurent, 2010) e Federico Fellini (Que estranho chamar-se Federico, Ettore Scola, 2015) a par do escritor Stefan Zweig (Stefan Zweig – Adeus Europa, Maria Schrader, 2017) e da filósofa Hannah Arendt (Vida activa: O espírito de Hannah Arendt, Ada Ushpiz, 2015).

Quinta-feira, 02 de fevereiro | 21h30
O RIO DO OURO
Paulo Rocha
PT, FR, BR | 1988 | FIC | 97′ | M/12
Nas margens ensaguentadas do Rio do Ouro, uma balada de ciúme, um grande e horrível crime ambientado num meio popular. Um velho casal casa-se. Ela é guarda-cancela, ele é o patrão do barco-draga. Mélita, a sobrinha, cai ao rio, grita por socorro, António salva-a. Carolina morre de ciúmes. Num comboio, um cigano um nadinha vidente, o Zé dos Ouros, quer vender um colar a Mélita. Ai dele, vê o passado da inocente rapariga: numa vida anterior ela teria matado o amante e pintado com sangue dele o quarto do seu amor. Aterrado, Zé foge. Carolina vai atrás dele, rouba-lhe o colar e acaba por se tornar sua amante. Quer que o cigano lhe desvende o segredo, lhe explique o que viu. Enquanto o velho António se sente cada vez mais atraído pela sobrinha, Carolina sonha, vê tudo vermelho de sangue. O Zé já não tem medo de Mélita, quer deixar a amante. A guarda-cancela sente-se traída por todos, vê uma grande faca diante de si..
Sábado, 04 de fevereiro | 18h00
SAGUENAIL | 3 FILMES
Mau dia | Pas Perdus | Acentuado arrefecimento nocturno
Saguenail
PT | 2006-2013 | FIC | 74′
Mau Dia
A partir do poema de Jacques Prévert intitulado «Petit déjeuner du matin», MAU DIA experimenta uma dilatação do tempo na qual a banalidade esconde o drama vivido. Todos os elementos são decompostos e, depois, reconstruídos – paredes pintadas, chuva orquestrada, acções mimadas, representadas ou cantadas…
Pas perdu
Não basta ver, é preciso interpretar o que se vê. Os PAS PERDUS de uma mulher que transporta uma mala prestam-se a múltiplas hipóteses – o espectador construirá uma história convocando toda a sua memória cinematográfica.
Acentuado arrefecimento nocturno
Expulsa do Éden, a família original é obrigada a enfrentar as agruras da existência. Porém cada um dos seus membros encara diversamente o mundo. A «câmara subjectiva» mostra-nos as visões incompatíveis de cada um. Tensões, ciúmes e sentimentos de culpa levam Adão, Eva e Caim a coligar-se contra Abel, obrigando-o a cometer o primeiro sacrifício.
Quinta-feira, 09 de fevereiro | 21h30
CÉSAR DEVE MORRER
Cesare deve morire
Paolo e Vittorio Taviani
ITÁLIA | 2012 | FIC | 76
Uma sala de teatro na prisão de Rebibbia em Roma. Uma encenação de Júlio César de Shakespeare chega ao fim do meio de grandes aplausos. As luzes baixam e os actores, que se transformam novamente em presos,são acompanhados às suas celas.
Sábado, 11 de fevereiro | 18h00
Mourir un peu
Saguenail
PT | 1981-85 | FIC | 91
MOURIR UN PEU é composto de três curtas-metragens unidas pelo tema da descoberta da América (a cidade filmada como uma viagem marítima, os seus cafés apresentados como um imenso museu da colonização, a volta ao mundo realizada dentro do espaço da casa) e ligadas pela interrogação do cineasta sobre o seu próprio percurso.
Quinta-feira, 16 de fevereiro | 21h30
GODARD/TRUFFAUT – OS 2 DA (NOVA) VAGA
GODARD/TRUFFAUT – DEUX DE LA VAGUE
Emmanuel Laurent
FR | 2010 | DOC | 91′ | M/12
Documentário sobre os dois cineastas emblemáticos da Nova Vaga: Jean-Luc Godard e François Truffaut. Imagens raras de arquivo num documentário realizado por Emmanuel Laurent e escrito por Antoine de Baecque, critício e autor da última biografia de Godard, sobre o encontro, a amizade e os primeiros filmes dos dois realizadores.
Sábado, 18 de fevereiro |18h00
QUE ESTRANHO CHAMAR-SE FEDERICO
CHE STANO CHIAMARSI FEDERICO
Ettore Scola
IT | 2015 | DOC | 90′
Uma homenagem e um retrato de Federico Fellini por Ettore Scola no vigésimo aniversário da morte do grande realizador.
Quinta-feira, 23 de fevereiro |21h30
STEFAN ZWEIG – ADEUS, EUROPA
VOR DER MORGENROTE
Maria Schrader
ALE, FR, AUS | 2017 | FIC | 106′
Os anos do exílio na vida de Stefan Zweig, um dos escritores de língua alemã mais lidos do seu tempo, entre Buenos Aires, Nova Iorque e Brasil. Enquanto intelectual judeu, Zweig tenta encontrar a atitude correcta face aos acontecimentos na Alemanha nazi, ao mesmo tempo que vai em busca de um lar no novo mundo.
Sábado, 25 de fevereiro |18h00
VIDA ACTIVA: O ESPÍRITO DE HANNAH ARENDT
VITA ACTIVA: THE SPIRIT OF HANNAH ARENDT
Ada Ushpiz
ISRAEL, CANADÁ | 2015 | DOC | 133′
A filósofa alemã Hannah Arendt causou polémica na década de 1960 ao desenvolver o conceito subversivo da “banalidade do mal” referindo-se ao julgamento de Adolf Eichmann, sobre o qual escreveu para a revista The New Yorker. A sua vida privada não foi menos controversa graças ao seu caso amoroso com o célebre filósofo alemão e apoiante nazi Martin Heidegger. Este documentário provocador e arrojado, com base numa vasta quantidade de materiais de arquivo, oferece um retrato intimista da vida de Arendt, viajando pelos lugares onde viveu, trabalhou, amou, e foi traída, enquanto escrevia sobre as feridas abertas dos tempos modernos.
Bilhete Normal: €3,50
Bilhete Estudante e +65 anos: €2,50
Bilhete Associado Cineclube do Porto: €0,50
A bilheteira abre 30 minutos antes de cada sessão.
Casa das Artes – Sala Henrique Alves Costa
Rua de Ruben A. 210, 4150-639– Porto
T.220116350
Cineclube do Porto:
ccp@cineclubedoporto.pt
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